Startup: o que os investidores avaliam antes de tomar uma decisão de aporte

Categoria: Contabilidade

Postado em 12 de julho de 2021

Será que a sua startup está se preparando corretamente para buscar investimentos? Você sabe o que os investidores analisam antes de fazer um aporte de capital? O uso de uma solução de contabilidade digital poderia ajudar?

A verdade é que fazer um investimento é um negócio. Por isso, os investidores não vão se basear apenas na qualidade do produto ou serviço. 

A decisão envolve a análise de dados e evidências. Eles buscam motivos concretos que levem à conclusão de que a empresa vale o investimento. 

Sendo assim, descubra quais são as informações da sua startup que interessam aos investidores e podem ser decisivas na hora do investimento ser aprovado ou negado.

Primeiro passo: diagnóstico financeiro da startup 

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae e pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços com mais de 1000 startups revelou que o principal motivo para o fechamento das empresas é a dificuldade de acesso à capital. O estudo apontou que cerca de 40% dos empreendimentos enfrentaram esse impasse.

A boa notícia é que as empresas podem superar esse desafio. Para tanto, o caminho é entender como buscar um investimento. O ideal é estar preparado e ter em mãos os dados certos, aquilo que os investidores realmente querem saber.

Dessa forma, o primeiro passo é buscar uma contabilidade digital para verificar qual é a real situação financeira de sua startup, uma vez que os investidores não vão fazer aporte de capital sem antes investigar  como o negócio está financeiramente. Por isso, os dois relatórios a seguir são essenciais:

DRE 

O Demonstração do Resultado do Exercício  (DRE) é um relatório que contém informações sobre as receitas, despesas, custos e investimentos de uma empresa durante um período específico. 

Com esse resumo financeiro em mãos, ocorre a determinação do resultado líquido e é possível avaliar se a empresa está obtendo prejuízos ou lucros. 

De acordo com o que prevê a legislação, o DRE deve ser realizado anualmente  Porém, a organização pode optar por gerar esse relatório para outros intervalos de tempo com o objetivo de monitorar a situação financeira. É só contratar uma contabilidade digital para realizar o processo.

Com o intuito de mapear qual a projeção financeira da empresa, é útil calcular o DRE de um período mais longo para avaliar como está o seu crescimento. 

Por exemplo, para descobrir o DRE dos últimos 3 anos

  • Primeiro passo:  analisar qual foi a receita operacional líquida. Para isso, basta somar todos os valores da receita bruta (vendas e serviços) e diminuir pelo valor total de deduções da receita bruta (devoluções, impostos, entre outros). O resultado da conta indica a receita operacional líquida.
  • Segundo passo: calcular todos os custos de vendas durante esses anos, sendo que essa soma equivale ao resultado operacional bruto.
  • Terceiro passo: descobrir o resultado operacional antes do IR (Imposto de Renda) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) por meio do cálculo de todas despesas operacionais, financeiras líquidas, entre outras.
  • Quarto passo: subtrair o IR e CSLL do valor do resultado operacional para obter o lucro líquido antes das participações.
  • Quinto passo:  por fim, para descobrir o valor líquido do exercício é necessário subtrair as participações, como o pró-labore.

Pensando em todos esses cálculos, é essencial buscar o auxílio de contadores para elaborar esse relatório da forma correta. Uma boa alternativa, e muitas vezes mais econômica, é utilizar os serviços de contabilidade digital.

O DRE é essencial para as startups que buscam investimentos, já que para os investidores é uma ferramenta que possibilita avaliar a verdadeira situação da empresa.

Curva ABC 

A curva ABC é uma forma de classificar os itens de uma empresa, dividindo-os em grupos de maior e menor relevância. Os itens A são os mais importantes, os itens B são de valor mediano e os itens C são os menos relevantes. 

Os elementos podem ser separados e classificados em diversas categorias, como: produtos e mercadorias, tarefas, clientes, fornecedores, entre outros. 

O método utilizado para definir as prioridades é a regra 80/20, criada pelo economista italiano Pareto, que descobriu que 80% da riqueza da Itália era proveniente de 20% da população. 

Isso significa que dentro de uma empresa 20% dos produtos ou serviços geram 80% do lucro, pertencendo ao grupo A. Já a classe B fornece 15% de lucro e a C apenas 5%.

Dessa forma, é possível investir nos produtos mais lucrativos e no relacionamento com os seus fornecedores.

No caso da curva ABC de clientes, eles podem ser divididos em: 

  • Tipo A: são os mais lucrativos, os que mais gastam com a empresa e mais frequentemente. Eles são responsáveis por 80% do faturamento e representam 20% do número total de clientes. 
  • Tipo B: são aqueles que apresentam consumo mediano, cerca de 15% do faturamento e representam 30% da clientela. 
  • Tipo C:  são os que trazem menor lucro – 5% – e representam 50% do total de clientes. 

Ao classificar seus clientes de acordo com a curva ABC, você pode elaborar métodos para manter a fidelização, bem como analisar qual o perfil desses consumidores, para buscar formas de trazer crescimento financeiro para sua startup

Curva ABC  e a produtividade do time

O princípio da regra 80/20 também pode ser usado para avaliar a performance dos colaboradores, medindo sua produtividade. 

De acordo com a curva ABC, 20% das ações são responsáveis por 80% dos resultados. Assim, para aumentar a produtividade, é preciso reconhecer quais são essas atividades e manter o foco nelas, buscando alternativas para executá-las de maneira cada vez mais eficaz. 

Em resumo, a curva ABC auxilia na tomada de decisões mais assertivas, que vão trazer retorno verdadeiro e, consequentemente, expandir positivamente o valor da empresa dentro do mercado.

Porém, é útil buscar o auxílio de uma contabilidade digital  para fazer a construção desses dados com exatidão. 

Segundo passo: compreensão do perfil da startup e riscos de investimento 

 Antes de investir na startup, os  investidores avaliam outros elementos relevantes, como o perfil empresarial e os riscos que o mercado traz para aquele negócio. 

Por isso, é bom analisar os seguintes aspectos para que o empreendimento fique pronto para buscar investimentos:

Objetivos e valores empresariais 

A startup que procura investimentos  precisa definir a visão da empresa e a sua proposta de valor, se quiser ser bem-sucedida.

A proposta de valor é um componente do marketing que visa definir quais os valores do seu negócio e como eles influenciam a maneira como sua empresa oferece produtos ou serviços ao público, mostrando ao cliente as vantagens de escolher as soluções da startup. 

Além disso, também é importante criar um roadmap,uma espécie de roteiro visual. Nele, você deve identificar a posição atual de sua empresa no mercado e qual o lugar que deseja ocupar no futuro. 

Ao traçar o roadmap, é preciso estabelecer um objetivo maior e qual o tempo para alcançá-lo. E então, escolher objetivos menores, de curto e médio prazo, que vão ajudar a atingir a meta estipulada.

Também é essencial escolher quais são as Key metrics (Métricas) mais relevantes para a realidade da sua startup e fazer o acompanhamento delas. 

As Key metrics tratam-se de dados numéricos que ajudam a avaliar o desempenho do negócio. Podemos citar, por exemplo:

  • Receita de vendas;
  • Margem de lucro líquido;
  • Taxa de conversão de leads;
  • Taxa de retenção;
  • Tráfego de site
  • Entre outros.

Estratégias de Marketing 

Um dos pontos essenciais para o sucesso de um negócio é a elaboração de estratégias de marketing, definindo quais são as formas de atração de clientes.

Atualmente, um dos grandes destaques é o marketing digital. Isso porque criar presença no mundo virtual é uma forma de desenvolver relacionamento com o seu público. 

Para tanto, ter um site que explique e ofereça o seu produto e esteja dentro dos padrões SEO (Search Engine Optimization) é indispensável.  Além disso, por meio dele e das redes sociais, você pode disponibilizar conteúdos atrativos. 

No entanto, também é importante analisar se as estratégias adotadas pela empresa estão trazendo o retorno esperado. 

Com esse objetivo, é preciso descobrir qual o Custo de Aquisição do Cliente (CAC) gasto pela empresa e qual o LifeTime Value (LTV), ou seja, o valor adquirido durante o período de relacionamento com determinado consumidor. 

O ideal é que os valores de CAC da startup sejam menores do que os LTV, porque isso indica que a organização está conseguindo lucros. 

Caso contrário, é sinal de que há algum gargalo no processo de vendas, sendo necessário identificá-lo o quanto antes para eliminá-lo. Nesse caso, busque ajuda de uma contabilidade digital para ajudá-lo a solucionar o problema.

Posição no mercado 

Outro fator analisado pelos investidores quando consideram a possibilidade de investir em uma startup é a sua posição no mercado. 

Por isso, além de conseguir explicar o funcionamento do seu produto ou serviço também é necessário ter conhecimento de mercado e saber se existem outras empresas que trabalham com a mesma solução. 

Dessa maneira, é essencial calcular qual o tamanho do mercado que há à disposição para a sua startup. Para isso, você pode usar os seguintes conceitos:

  • TAM (Total Available Market): representa o número total do mercado disponível para um produto ou serviço, em nível global.
  • SAM (Serviceable Available Market): é a porção do mercado que a sua empresa pode alcançar em longo prazo, desde que adote ações estratégicas.
  • SOM (Serviceable Obtainable Market):  é a parte do mercado que está disponível para sua empresa atingir, permite fazer uma previsão realista. 

Além disso, conheça os seus concorrentes e investigue o porquê os clientes compram os seus serviços. 

Ao conseguir ter a visão do cliente, você vai entender qual a necessidade dele que o seu produto vai suprir, esse conceito é chamado de Job-to-be-done.

De acordo com a teoria criada pelo professor de administração Clayton Christensen, as pessoas adquirem produtos quando percebem que têm um problema e que aquele item é a solução para ele. 

Assim sendo, mesmo havendo empresas concorrentes, você pode ofertar o seu produto de formas inovadoras mostrando para o consumidor como a solução  da sua empresa satisfaz as necessidades dele.

No entanto, para que isso se torne realidade, toda a equipe deve trabalhar de forma alinhada e possuir competências que contribuam para o crescimento da empresa como todo.

Análise do produto 

Obviamente, se alguém for investir em um produto, vai desejar conhecer suas características e os seus diferenciais. 

Então, esteja pronto para realizar uma demonstração do produto ofertado pela sua startup e destacar quais são os pontos fortes. 

Ademais, separe informações que revelem qual o passo a passo para o desenvolvimento do item e em qual estágio se encontra atualmente. Vale destacar também  quais são as ambições referentes ao futuro do produto. 

Pitch Deck

O fundraising consiste na captação de fundos ou recursos com o intuito de financiar uma startup ou projeto, sendo que para consegui-lo será necessário fazer uma apresentação diante dos investidores. 

Com isso em mente, é vital elaborar com atenção o Pitch Deck, que é o material de apoio da sua apresentação. 

No Pitch Deck, você deve inserir informações que despertem a curiosidade do investidor e se antecipar ao responder questões que poderiam causar receios , mostrando como a sua startup soluciona aquelas dúvidas e porque ela é o negócio ideal para receber aporte de recursos. 

Alguns assuntos podem ser incluídos na sua apresentação, como:

  • Questões jurídicas: fale sobre a documentação da startup e se está pronta para uma Due Diligence (avaliação geral da empresa). 
  • Planejamento financeiro: destaque a situação financeira da empresa, qual a previsão de crescimento e utilize dados concretos que demonstrem isso. 
  • Financiamento: indique  a quantidade de recursos que a startup precisa e explique como eles serão utilizados dentro dos próximos meses.

No entanto, não é preciso restringir-se apenas a esses tópicos. Vale incluir a história da empresa e quaisquer outras informações que agregam valor positivo ao negócio. 

Terceiro passo: avaliação da tração do negócio 

Antes de investir em uma startup,  os investidores vão querer certificar qual é o nível de tração do negócio. 

A tração são os dados concretos que servem para verificar o engajamento da empresa no mercado.

Para isso, pode criar um KPI (Key Performance Indicator), com o auxílio de uma contabilidade digital, que demonstre se o conjunto de ações corporativas está viabilizando o alcance  das metas estabelecidas e promovendo o crescimento da startup.

Afinal, os investidores olham para o futuro. Eles querem saber qual o retorno o investimento vai trazer mais a frente. Por isso, é essencial evidenciar boas razões que comprovam que a sua startup possui probabilidade de crescer.

Em conclusão, para conseguir um investimento você precisa mais do que ter um bom produto: é essencial conhecer o mercado, definir metas e adotar estratégias de marketing. Além disso, é preciso ter dados concretos que demonstrem que sua startup está evoluindo e possui boa saúde financeira e jurídica.

Pensando nisso, que tal aderir a contabilidade digital para ajudá-lo com a construção de seus relatórios? Agende uma conversa com time da Gestão!

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